O crime mudou de alvo: por que o roubo de carga farmacêutica ficou mais raro e mais caro
Por Renan Limas, fundador e corretor responsável · 15 de setembro de 2026 • 6 min de leitura
O roubo de carga de medicamentos não ficou mais raro no sentido que importa: caiu o número de casos, mas subiu — e muito — a fatia do prejuízo nacional que esse tipo de carga representa. Dois levantamentos setoriais divulgados neste semestre, com metodologias e recortes diferentes, apontam para a mesma leitura: quadrilhas especializadas estão trocando volume por valor, mirando cargas farmacêuticas de alto ticket em vez de assaltos aleatórios.
Para quem transporta ou distribui medicamentos, isso muda a forma de pensar o seguro: o risco não está mais distribuído de forma parecida entre todo tipo de carga — ele está concentrado, e é essa concentração que deveria orientar o Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) e a estrutura de RC-DC da operação.
Em São Paulo: menos casos, mas ganhando espaço relativo
Um levantamento da consultoria Overhaul, encomendado pela ABRADIMEX (Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares), com base em dados da SSP-SP, mostra que:
- Entre janeiro e maio de 2026, São Paulo registrou 28 roubos de carga farmacêutica — 17,65% a menos que os 34 casos do mesmo período de 2025;
- No mesmo intervalo, o total de roubos de carga no estado (todos os tipos de mercadoria) caiu 34,28% — ou seja, a queda em medicamentos foi bem menor que a queda geral;
- Como consequência, a participação dos medicamentos entre todas as cargas roubadas em São Paulo subiu de 2,2% (1º trimestre de 2025) para 3,3% (1º trimestre de 2026).
Em português direto: o crime como um todo recuou em São Paulo, mas o roubo de carga farmacêutica recuou menos — por isso ganhou peso relativo dentro do total.
No retrato nacional: a fatia dos medicamentos mais que decuplicou
Um segundo levantamento, da nstech — que consolida dados das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech —, mostra o mesmo fenômeno em escala nacional, com um salto ainda mais expressivo: a participação de medicamentos no valor total de prejuízos com roubo de carga no Brasil foi de 1,7% no 1º trimestre de 2025 para 22,3% no 1º trimestre de 2026. O levantamento também mostra que cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão responderam por 40,4% dos prejuízos do trimestre — e, dentro desse grupo de cargas de alto valor, 44,4% eram farmacêuticas.
Vale um alerta de precisão: os dois levantamentos usam bases, recortes geográficos e metodologias diferentes (SP vs. nacional, e o critério de "participação" muda entre eles), então os percentuais de um não devem ser somados aos do outro. O que os dois convergem em mostrar, cada um com sua própria métrica, é a mesma direção: menos ocorrências, mais peso financeiro por evento.
Por que isso acontece: o crime ficou mais seletivo
A leitura mais consistente com os dois levantamentos é que o crime organizado especializado em roubo de carga está migrando de uma lógica de volume (assaltar o máximo de cargas possível) para uma lógica de valor e liquidez (mirar cargas específicas, de alto valor de revenda no mercado ilegal, com informação prévia sobre rota e conteúdo). Medicamentos de alto custo — oncológicos, biológicos, produtos que exigem cadeia fria — se encaixam nesse perfil: valor concentrado em pouco volume físico, fácil de escoar. Essa é uma leitura razoável dos dados setoriais, não uma conclusão fechada por fonte oficial de segurança pública sobre a motivação exata das quadrilhas.
O que isso muda para o seguro da sua operação
Se sua transportadora ou distribuidora movimenta carga farmacêutica de alto valor, a concentração de risco por tipo de mercadoria — e não só por rota — passa a ser um dado relevante para revisar com o corretor: o Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) combinado com a seguradora, a forma de averbação em apólices abertas e o dimensionamento do RC-DC costumam levar em conta justamente o perfil e o valor médio da carga transportada, além do histórico de sinistros.
O seguro cobre o prejuízo financeiro — não evita o roubo
É importante ser direto sobre isso: nenhuma apólice de RC-DC reduz o risco de a carga ser roubada — quem faz isso são as medidas de segurança física, rastreamento e gerenciamento de risco combinadas na operação. O que o RC-DC faz é responder financeiramente pelo desaparecimento da carga por furto, roubo, apropriação indébita, estelionato ou extorsão, desde que cumpridas as condições contratadas — incluindo as exigências de PGR da apólice. O pagamento da indenização não é automático: depende da análise da seguradora e da documentação do sinistro, e não existe garantia de valor ou prazo neste artigo — isso está sempre nas condições gerais do contrato.
A RHC estrutura apólices de RCTR-C, RC-DC e gerenciamento de risco para transportadoras e distribuidoras de todo o Brasil, com atenção especial ao perfil de carga de cada operação. Confira o guia completo sobre seguros para transportadoras ou fale com a gente para uma análise sem compromisso.
Este conteúdo é informativo e foi apurado a partir de levantamentos setoriais públicos (Overhaul/ABRADIMEX e nstech); não substitui análise jurídica ou de risco específica para a sua operação. Coberturas, prazos e critérios de indenização variam por seguradora e por apólice — confirme sempre as condições do seu contrato.
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